oficina de interpretação de Bissau

Hamid Baldé e Cadija Mané (fotografia de Eduardo Pinto)

No dia 3 de Abril do ano em curso ao abrir o meu correio electrónico deparei-me com um em especial, diferente aos habituais emails de reuniões, relatórios, deadlines, etc, este outro anunciava a abertura de inscrições para a oficina de interpretação de Bissau, a minha curiosidade levou-me a baixar a ficha de inscrição em anexo e a preenche-la antes de reflectir sobre o assunto. Só horas mais tarde decidi clicar num dos links que falava do projecto P-STAGE, da sua existência, objectivos e da Cena Lusófona, foi quando comecei a ficar preocupada… Afinal não seria apenas uma oficina de mera aprendizagem ou formação, era algo mais do que isso, será que conseguiria? Que jeito tinha para ser actriz? Conseguiria chegar até ao final? Terei alguma revelação de talento? Conseguiria superar a minha falta de confiança? Questões que só obteriam resposta indo assistir ao primeiro dia.

Tenho aprendido que teatro não é só uma questão de se estar em cima do palco e decorar falas, é toda uma dinâmica de conhecer-se o espaço, de confiança, de apropriação, de técnicas, de expressões, de ritmo, de luz, de entoação, de saber “falar” e de saber contar histórias. 

Nunca tinha tido experiência teatral a não ser aquela de “brincadeira” durante o ciclo preparatório, secundário e no primeiro ano da Universidade, a maior parte das vezes “apenas” faço parte da plateia que no final aplaude de tanto agrado pela peça que viu.

Nesta oficina, faço parte de um grupo de pessoas que vêm de diferentes grupos teatrais e com anos de experiência, comparando-me com eles nada sei, porém posso dizer que é com grande satisfação que tenho participado nesta oficina, estou a aprender muito e a verdade é que muitas das questões iniciais têm tido respostas: pela minha falta de confiança nenhuma revelação concreta quanto ao meu talento para ser actriz se-me revelou! Mas posso dizer claramente que o teatro não fica só pela actuação, encenação, produção, etc… é uma vasta área e nós nunca sabemos por onde as experiências, por mais que pequenas que sejam, nos podem levar.

Poderei eu ser uma contadora de histórias?

Cadija Mané, 34 anos, Bissau

[Entretanto a galeria foi actualizada com novas fotografias]

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