Tem início na próxima segunda-feira a terceira oficina de interpretação no âmbito do projecto P-STAGE – IV Estágio Internacional de Actores promovido pela Cena Lusófona. Depois de Angola e da Guiné-Bissau, o projecto chega agora a São Tomé e Príncipe, com uma acção de formação dirigida pelo encenador brasileiro Márcio Meirelles.

A oficina, co-organizada pelo Centro de Intercâmbio Teatral de São Tomé (CIT São Tomé) e destinada a actores e actrizes com mais de 18 anos, tem início já esta segunda-feira e decorre ao longo de 4 semanas, culminando com a apresentação de um exercício-espectáculo, no dia 2 de Agosto. Do grupo de formandos serão seleccionados dois actores/actrizes para integrar o elenco internacional da produção “As Orações de Mansata”, de Abdulai Sila, próxima etapa do projecto P-STAGE.
Na sequência dos contactos directos estabelecidos com a comunidade de teatral de São Tomé, estão já inscritos mais de 30 actores, em representação de seis grupos da ilha: Gente de dor alegre, Os criativos, Os parodiantes da ilha, Fôlô-Blâge, Caravana africana e Légi Téla. As inscrições permanecem abertas até este domingo à noite, através do e-mail cit.stp@hotmail.com

O P-STAGE em São Tomé
O projecto P-STAGE – Portuguese-Speaking Theatre Actors Gather Energies (IV Estágio Internacional de Actores Lusófonos) é uma parceria entre a Cena Lusófona, a AD (Guiné-Bissau) e o Elinga Teatro (Angola), tendo como associados o CIT São Tomé, a Sol – Movimento de Cena (Salvador, Brasil), A Escola da Noite e a Companhia de Teatro de Braga (Portugal) e o Theatro Circo de Braga (Portugal). É desenvolvido no âmbito do Programa ACP (África, Caraíbas e Pacífico)-UE de apoio aos sectores culturais ACP, executado pelo Secretariado do Grupo dos Estados ACP e financiado pela União Europeia. Inclui a realização de três oficinas para actores nos países africanos envolvidos e a construção de um espectáculo com actores portugueses, brasileiros, angolanos, guineenses e são-tomenses, que estreará em Portugal em Outubro deste ano e circulará depois pelo espaço da CPLP. Paralelamente, a iniciativa prevê a realização de um documentário e de três oficinas de iluminação cénica.
O CIT São Tomé tem existência jurídica desde Abril de 2013, mas funciona há vários anos como parceiro da Cena Lusófona naquele país, dinamizando várias acções de formação e gerindo o parque técnico que a Cena Lusófona colocou à disposição da comunidade teatral são-tomense em 2002. O envolvimento de São Tomé e Príncipe no projecto conta com o apoio do Governo da República, através do Ministério da Educação, Cultura e Formação.

Márcio Meirelles
Márcio Meirelles é encenador, cenógrafo e figurinista e iniciou a sua carreira teatral em 1972, em Salvador, Bahia (Brasil). Foi fundador do grupo Avelãz y Avestruz (l976-1989) e do espaço cultural A Fábrica (1982), que dirigiu. Durante os anos de 85 e 86, assumiu a direcção dos núcleos de cenografia e figurinos e de direção e elenco da TV Educativa da Bahia. Paralelamente, criou o Projeto Teatro para a Fundação Gregório de Mattos (1986). Foi director de um dos maiores centros culturais do Brasil – o Teatro Castro Alves, em Salvador, entre 1987 e 1991.
Distinguido com vários prémios nas suas três áreas de intervenção preferenciais, fez estágio na Circle Repertory Company (Nova York). Em 1990 criou, com Chica Carelli, o Bando de Teatro Olodum, que dirige até hoje. Em 1994, coordenou o projeto de reforma e revitalização do Teatro Vila Velha, do qual foi director artístico até 1998 e a partir de 2011. Condecorado como Cavaleiro da Ordem do Mérito da Bahia em 1990, homenageado pelo Troféu Copene de Teatro pelo conjunto de seu trabalho em 1999 e indicado para o Prêmio Shell, no Rio, pela encenação de “Candaces – a reconstrução do Fogo”, em 2003.
Entre 2007 e 2010 foi Secretário de Cultura do Estado da Bahia.

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