A Cena Lusófona e o Centro de Intercâmbio Teatral de São Tomé (CIT) promovem no próximo dia 29 de Agosto, quinta-feira, uma leitura pública da peça “As Orações de Mansata”, de Abdulai Sila. A sessão tem lugar no Pavilhão Cultural D. Alda Espírito Santo, no Liceu Nacional de São Tomé e Príncipe, e assinala a despedida da comitiva do projecto P-STAGE ao país onde esteve durante dois meses. O elenco integra 13 actores de seis países de língua portuguesa.

Elenco de "As Orações de Mansata". Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Rogério Boane (Moçambique/Portugal); Igor Lebreaud (Portugal); Paulo Figueira (Angola); Miguel Magalhães (Portugal); Ella Nascimento (Salvador, Brasil); Solange Sá (Portugal); Jorge Biague (Guiné-Bissau); Marleny Musa (Angola); Emílio Lucombo (Angola); Wilson de Sousa - "Pepelinho" (Sao Tomé e Príncipe); Amador Fernandes - "Flasquim" (São Tomé e Príncipe); Trindade Costa (Guiné-Bissau); Ridson Reis (Salvador, Brasil). Foto: Sofia Lobo

Elenco de “As Orações de Mansata”. Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Rogério Boane (Moçambique/Portugal); Igor Lebreaud (Portugal); Paulo Figueira (Angola); Miguel Magalhães (Portugal); Ella Nascimento (Salvador, Brasil); Solange Sá (Portugal); Jorge Biague (Guiné-Bissau); Marleny Musa (Angola); Emílio Lucombo (Angola); Wilson de Sousa – “Pepelinho” (Sao Tomé e Príncipe); Amador Fernandes – “Flasquim” (São Tomé e Príncipe); Trindade Costa (Guiné-Bissau); Ridson Reis (Salvador, Brasil). Foto: Sofia Lobo

“As Orações de Mansata”, de Abdulai Sila, foi a peça escolhida pela Cena Lusófona para o espectáculo central do P-STAGE – Portuguese-Speaking Theatre Actors Gather Energies, um projecto de formação, criação e difusão teatral financiado pela União Europeia e levado a cabo em associação com o Elinga Teatro, de Angola, a Acção para o Desenvolvimento, da Guiné-Bissau, o Centro de Intercâmbio Teatral de São Tomé e Príncipe, o Bando de Teatro Olodum / Teatro Vila Velha, de Salvador (Brasil) e ainda as companhias de teatro portuguesas A Escola da Noite e a Companhia de Teatro de Braga. Entre as instituições apoiantes estão o Governo de São Tomé e Príncipe, através do Ministério da Educação, Formação e Cultura, e a empresa de telecomunicações angolana Multitel.
Depois de três oficinas de interpretação realizadas em Angola (Novembro de 2012), na Guiné (Abril de 2013) e em São Tomé (Julho de 2013), que serviram também para a selecção dos actores que participariam no espectáculo, o elenco reuniu-se no início de Agosto na cidade de São Tomé, onde tem cumprido a primeira fase dos ensaios, que agora termina. A sessão está marcada para as 17h30 de dia 29 de Agosto, tem entrada livre e é também uma forma de agradecer às instituições e ao público de São Tomé o acolhimento prestado ao longo dos últimos dois meses.
O espectáculo é encenado por António Augusto Barros, que dirige um elenco de treze actores, oriundos de Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. A segunda fase dos ensaios tem início a 3 de Setembro, em Coimbra (Portugal), cidade para onde está marcada a sua estreia, a 17 de Outubro, no Teatro da Cerca de São Bernardo.

As Orações de Mansata
Definida como “uma adaptação de Macbeth à realidade africana”, a peça – que é o primeiro texto dramático da literatura guineense – oferece um impiedoso retrato dos mecanismos de corrupção, luta pelo poder e violência extrema que caracterizam vários regimes políticos em todo o mundo e têm marcado, de forma trágica, a realidade da Guiné-Bissau nas últimas décadas.
Oito conselheiros do Supremo-Chefe, encarregados de assuntos como tchumul-tchamal [confusão], meker-meker [intriga] ou nhengher-nhengher [conspiração], disputam entre si a melhor forma de derrubar o líder e ocupar a cadeira da Suprematura. Para o efeito, partem em busca das “Orações de Mansata”, que supostamente lhes facilitariam a dominação sobre o seu povo, num processo em que a traição, a tortura e o assassinato são reduzidos à banalidade.
A realidade de uma certa África contemporânea é ainda retratada nesta peça através das tensões e das contradições entre as culturas ancestrais (a poligamia, a ligação ao sobrenatural, as formas de poder tradicional, o lugar reservado às mulheres) e o crescente impacto da globalização, nomeadamente através da internet, de outros meios de comunicação e de uma mobilidade internacional e intercontinental cada vez mais facilitada.

Abdulai Sila
Abdulai Sila (Catió, Guiné-Bissau, 1958) é formado em Engenharia Electrotécnica pela Universidade de Dresden (Alemanha). Dedicou-se ao estudo das Tecnologias de Informação e Comunicação e tornou-se empresário nesta área, desempenhando um papel pioneiro no desenvolvimento e difusão das TIC na Guiné-Bissau. Foi co-fundador do INEP – Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas, do GREC – Grupo de Expressão Cultural, da revista cultural Tcholona e da primeira editora privada guineense, a Ku Si Mon. Tem três romances editados – “Eterna Paixão” (1994), “A Última Tragédia” (1995) e “Mistida” (1997) – para além de contos e artigos em várias publicações internacionais. Publicou recentemente a sua segunda peça de teatro, “Dois tiros e uma gargalhada”, que apresenta como o segundo momento de uma trilogia iniciada com “As Orações de Mansata” (editada pela Cena Lusófona em 2011, na sua colecção “Teatro”).
Em Julho deste ano foi condecorado pelo Governo Francês com o grau de Cavaleiro da Ordem das Artes e das Letras”.

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